Banco de ensaio
Banco de ensaio — O teste de escuta Tomatis
Dossiê publicado em 1985* numa revista francesa. Artigo principal por* Bernard Montelh*, destaque «O imaginário do ouvido» por* Jacques Bril*.*
A voz e o ouvido: uma não vai sem o outro. É o que estima Alfred Tomatis, doutor em medicina e especialista do ouvido, que assegura que «se canta com o seu ouvido». Bernard Montelh quis experimentar este teste-balanço. Conta esta experiência.
Banco de ensaio — por Bernard Montelh
A ambição de B., vinte e cinco anos, é tornar-se cantora. Uma bela voz de contralto, bem rara, permite-lhe entrar num conservatório. Sai dele ao cabo de um ano, insatisfeita, e procura desesperadamente um professor que possa convir-lhe. Problema espinhoso: em matéria de aprendizagem do canto, navega-se alegremente, e há quase tantas escolas quanto professores.
Em desespero de causa, B. decide-se a ir consultar o professor Alfred Tomatis, médico e especialista do ouvido e da linguagem, cujos escritos a marcaram. Tomatis, com efeito, assegura ter «tratado» numerosos cantores em dificuldade. O seu princípio, uma fórmula contundente como ele as ama: «Canta-se com o seu ouvido!»
Início de cura penoso para B.: tudo se desmorona, ela já não consegue cantar. Ao cabo de tudo, contudo, uma surpresa de tamanho: reencontrando os agudos, a sua voz passa de contralto a soprano dramático.
Impressionado, quis experimentar pelo menos o «teste de escuta» concebido por Alfred Tomatis. Tinham-me avisado: «Mesmo este simples exame pode mudar bem das coisas para si.» Na prática, contudo, nada de impressionante. Primeiro uma entrevista com uma psicóloga, que se dedica sobretudo a saber como decorreu a gravidez da mãe, o parto, o primeiro ano. Nenhuma sorte deste lado: não sei nada. Em seguida, perguntas sobre o meu caráter, a minha fadigabilidade, a minha relação com a música, com o ruído, etc.
Segunda fase: o teste propriamente dito. Enviam-me sons por intermédio de um auscultador. À direita, depois à esquerda, depois… cabe-me encontrar de que lado. O exercício consiste em levantar a mão logo que perceciono o som, que aumenta pouco a pouco de intensidade. Depois devo indicar se o som que ouço é mais agudo ou mais grave que o precedente (para cada ouvido). Aí tenho realmente a impressão de não saber, porque se trata aí — explicar-me-á em seguida Alfred Tomatis — do teste de seletividade, o que consiste em reconhecer as mínimas diferenças do timbre. E testes de lateralização oculo-manual.
É tudo. Mas é suficiente para Tomatis, que me recebe um momento mais tarde. «Tem um ouvido excecional», diz-me. «Uma curva quase ideal. Apenas, o senhor utiliza somente uma pequeníssima parte das suas potencialidades. O desenvolvimento do seu ouvido permaneceu bloqueado aos quatro anos.»
Aos quatro anos, expliquei então, tive efetivamente problemas de saúde que me afastaram alguns meses da minha família. «Isso pode ser a causa. Mas tão bem — é frequentemente o caso — um incidente benigno mal vivido. De facto, a causa, ela é irrelevante», prossegue o médico. «O que conta, é o resultado. E abrir-lhe este ouvido. No seu caso, é fácil. E garanto-lhe que então, já não terá os problemas de fadiga, de concentração e de memória que tem atualmente.»
O sonho! Mas, digo-me in petto como cético profissional, tudo isso, falei-o mais ou menos à psicóloga na entrevista preliminar. «O senhor gosta de cantar?» prossegue o meu interlocutor. «Que voz tem?
— Heh… — Compreendo que hesite. A sua voz é um esconderijo-surpresa. Mas isso pode arranjar-se facilmente.»
Seguir-se-ão algumas outras revelações sobre as minhas dificuldades em aprender as línguas, as minhas relações com os meus pais (bastante exatas, e sem que eu disso tivesse falado antes). Tudo isto à simples leitura de uma curva. «É um longo hábito», explica Alfred Tomatis. «A interpretação do teste de escuta não é tão fácil quanto parece. Só se pode fazer globalmente — e quase instantaneamente — após muita prática. Se fizesse um livro sobre o teste de escuta, seria uma obra muito técnica, reservada aos profissionais, como o fizeram para o Rorschach.»
Mágico, ou método?
Eis-me em todo caso partilhado entre a sedução e a desconfiança. A análise do professor — mesmo se ele tem os meios científicos de a justificar — parece um pouco «mágica». A cura proposta — uma cinquentena de sessões repartidas por um mês mais ou menos — tem um ar de remédio-milagre. É sem dúvida uma das razões da hostilidade que provocam um pouco por toda parte Tomatis e o seu método. As suas teorias, que começou a elaborar há mais de trinta anos (tem hoje sessenta e cinco), chocaram o corpo médico, os psi, os ortofonistas…
«Para muitos colegas, Tomatis, é o diabo», afirma um deles. E após muitas chamadas à ordem, o doutor preferiu, há já muito tempo, demitir-se do Ordre des médecins. Os preços (750 francos pelo teste de escuta, vários milhares de francos por uma cura, não reembolsados pela Sécurité sociale) não arranjam nada.
Dessa má reputação, Alfred Tomatis explica-se na sua autobiografia(1): demasiada ingenuidade, colaboradores pouco escrupulosos e plagiários desserviram-no e forjaram uma imagem de comerciante. Mas há também «o conservadorismo, a resistência às ideias novas».
Reconheçamos contudo que o pai da audio-psico-fonologia não joga aos perseguidos. De resto, certas das suas ideias «despropositadas» — nomeadamente sobre a ligação entre a voz e o ouvido — começam a recolher resultados análogos noutras equipas.
Testemunho: Pierre V.
Pierre V., que tem uma formação de psicólogo, seguiu uma cura. Má pronúncia, problemas escolares, ortofonistas: resultados, mas parciais. O estalo virá da leitura de uma obra de Tomatis. «Pensei que as minhas dificuldades vinham talvez mais do ouvido do que do palato. Na escola, sabia que não pronunciava corretamente. Mas sob Ouvido Eletrônico, ouvi pela primeira vez o “ch” tal como se pronuncia. Compreendi que, até então, não podia pronunciá-lo corretamente porque jamais o tinha ouvido corretamente.»
Além da aprendizagem dos sons corretos, a educação ter-lhe-á trazido uma maior à-vontade para falar em público, uma maior facilidade de relações com os outros, e uma capacidade de trabalho superior. «Não do dia para a noite, claro. Mas quando comparo, é francamente positivo», assegura, acrescentando que considera o resultado terapêutico e não o procedimento.
Uma «ginástica» do ouvido
Segundo Tomatis, é uma verdadeira «ginástica» que se põe em marcha — «mas onde os halteres são a voz da mãe, Mozart e o canto gregoriano», explica o professor. O seu postulado de base: o ouvido não é apenas um órgão sensorial, mas uma porta que permite a comunicação entre o indivíduo e o mundo exterior, bem como a autoinformação do indivíduo. Afirma por exemplo — e propõe a cada um que tente a experiência — que a leitura em voz alta permite uma melhor memorização do que a leitura silenciosa. É por essa função de instrumento privilegiado de comunicação que o ouvido toca à psicologia.
Uma cura no «Centre du Langage», é um verdadeiro «percurso sônico» que começa pela perceção intrauterina (obtida graças a uma filtragem particular dos sons), prossegue pelo parto sônico — passagem da perceção intrauterina à perceção aérea. Uma experiência que não se esquece, ao dizer daqueles que a efetuaram. Depois remontam-se as etapas da abertura do ouvido, insistindo nos pontos de bloqueio. Graças ao perfil obtido pelo teste de escuta e a controles regulares, esse percurso é adaptado aos problemas de cada indivíduo.
«À vista do meu teste, tem algo a propor-me?» acabei por perguntar ao professor Tomatis. «Absolutamente nada. Cabe-lhe fazer a diligência. Eu não vou para além disso, e por vezes é útil. Pense nos dançarinos. Sentem particularmente bem os ritmos, mas não as melodias. Se os reeducar completamente, deixarão de ser bons dançarinos!»
Mas eis: as «revelações» de Alfred Tomatis aguçaram-me o apetite. «Não invento nada», diz, «é a sua curva que me faz dizer isso. Repito-lhe que com o ouvido que tem, não deveria jamais estar fatigado, pois um bom ouvido permite recarregar-se em energia. Ora o senhor é sujeito à fadiga…» Ai, é exato!
«É contudo espantoso», disse-me com razão Pierre V., «de uma formação de psicólogo. Porque professa ideias e um método originais, e porque pretende ter êxito onde outros falham, exige-se de Tomatis uma avaliação precisa dos seus resultados. Conhece muitos psicoterapeutas a quem se pede a mesma coisa? Tanto mais que resultados, ele tem-nos. Então?»
Vá, está decidido: assim que for aumentado, precipitar-me-ei para casa de Tomatis. Preconceito favorável. De resto, fui avisado: o teste de escuta, é anódino… mas há consequências.
— Bernard Montelh
(1) L’Oreille et la Vie (itinéraire d’une recherche sur l’audition, la langue et la communication), A.A. Tomatis, Éd. Robert Laffont, coleção Réponses.
O imaginário do ouvido — por Jacques Bril
Ao fio (vermelho) do tempo, toda uma metáfora se constituiu em torno do ouvido. Segundo Jacques Bril, o ouvido dá bem alegrias — não todas de audição.
Basta evocá-lo enquanto órgão recetor da música e da fala — esses dois organizadores maiores da cultura — para dar conta da riqueza dos investimentos imaginários dos quais o ouvido é, em todos os lugares, o objeto?
Pela audição, claro, entramos em comunicação com o Outro, tanto para dele receber as confidências, as confissões, os relatos ou as ordens, quanto as melodias e os cantos. E a sensibilidade das almas seria sem dúvida bem diferente se não tivéssemos acesso, pela audição, a todas essas mensagens afetivas das quais se podem carregar os abalos sonoros. Aliás é às disposições da audição, globalmente «entendida», que remetem toda sorte de locuções usuais: «emprestar o ouvido», «esticar o ouvido», «tapar os ouvidos», «fazer ouvidos surdos», e bem outras.
O ouvido como matriz
Mas há mais. Destinado a receber a Palavra, isto é, o Verbo que confere à criatura o seu ser espiritual, o ouvido foi muitas vezes assimilado a uma matriz fecunda que viria impregnar a eloquência divina. Os Dogon e os Bambara conhecem um ensinamento exemplar que relata como a Palavra do gênio criador — ela própria saída de uma boca que era uma espécie de sexo primordial — se tornou operante, nos tempos míticos, por penetração noutro sexo, que é precisamente o ouvido. Um sexo duplo, andrógino em suma, cujo pavilhão constituía o elemento macho, e o conduto auditivo, o elemento fêmea.
Entre esses dois recetáculos que são o ouvido e a vagina vai desde então jogar-se, na tradição dogon, uma subtil dialética da Palavra divina e da semente humana, do entendimento e da procriação, da sabedoria e do nascimento. Não será espantoso que outras culturas tenham feito do ouvido a sede da inteligência — entender por aí essa disposição ao conhecimento intuitivo de outrem, pela operação conjugada da sensibilidade intelectual, afetiva e moral.
A esta analogia sexual ligam-se bem das crenças, das tradições e das fábulas. Um mito do Daomé, por exemplo, certifica que Mawu, o Criador, dispusera inicialmente os órgãos sexuais da mulher no lugar dos ouvidos. Chigemouni, o Salvador mongol, escolheu a virgem mais perfeita na terra, Maya, e fecundou-a penetrando no seu ouvido direito durante o seu sono. Cada um sabe que Gargantua veio ao mundo pelo ouvido da sua mãe.
E já que estamos no gigante da nossa mitologia nacional, registemos de passagem o tamanho dos seus ouvidos, segundo a descrição que dá do «Vilão» — avatar de Gargantua — o autor do Chevalier au Lion, poema popular do século XIV:
Vi que tinha a cabeça grande,
mais que cavalo ou outra besta;
cabelos mal penteados, a fronte pelada
e que tinha mais de dois palmos de largura;
as orelhas musgosas com grandes tufos como um elefante,
o sobrolho grande e o rosto plano,
olhos de coruja e nariz de gato…
E Molière, pela voz de Arnolphe em L’École des Femmes, faz dizer a Chrysalde, a propósito de Agnès:
Nas suas simplicidades a todo instante a admiro,
E por vezes ela diz coisas que me fazem desfalecer de rir.
No outro dia — poder-se-ia persuadir-se disso —
Ela estava bem aflita e veio perguntar-me
Com uma inocência sem par
Se as crianças que se fazem se faziam pelo ouvido!
No mito hindu que celebra o Ramayana, o macaco Hanuman, representando o herói solar, depois de ter sido engolido por um monstro marinho, daí saiu pelo ouvido direito. Os detalhes do texto sugerem com força que se trata aí da expressão poética de um fantasma infantil de coito e de nascimento — o que dá conta da sua universalidade.
A Conceção pelo ouvido
Na tradição cristã, certos teólogos sustentaram que a encarnação de Cristo resultava da fecundação de Maria pela mensagem verbal do Anjo anunciador. Esse tema, dito «da Conceção pelo ouvido», atestado desde o século IV, deu lugar a toda uma literatura teológica ou religiosa. Numerosos artistas representarão o Sopro, que figuram a maioria das vezes sob a forma de uma pomba, penetrar no ouvido da Virgem — citemos Filippo Lippi, Lorenzo Veneziano, Mestre Bertram, o escultor anônimo do portal da Marienkirche em Würzburg, e muitos outros.
Santo Agostinho por outro lado, Santo Agobardo o imperioso arcebispo de Lyon sob Luís o Pio, Santo Efrém da Síria, cauciornaram com os seus escritos a poética metáfora da qual teve que conhecer o Concílio de Trento. E o Missal de Salzburg contém ainda um Hino à Virgem que consagra a tradição:
Alegra-te, Virgem, Mãe de Cristo,
Tu que concebeste pelo ouvido
Ao anúncio de Gabriel.
Toda uma metáfora genital se constituiu assim «em torno» do ouvido, que remete às significações as mais espirituais — que assinam a docilidade à vontade divina —, como às mais libertinas, que consagra a expressão: «ter a pulga atrás do ouvido». Hoje bastante banal, ela já não era compreendida, já no século XVIII, senão num sentido anódino. E o dicionário de Trévoux, citando contudo Racan:
Toda a noite tenho a pulga atrás do ouvido;
O meu marido dorme enquanto eu velo.
… parece equivocar-se sobre o sentido apenas velado, quando dele dá por equivalente: estar bem acordado ou inquieto. É contudo claro que essa inquietação não é necessariamente inocente e que, referindo-se às imagens sugeridas acima, corresponde a uma maneira feminina de designar as comichões amorosas. Imaginam-se sem dificuldade os remédios próprios para acalmá-las, que propuseram os autores galantes e ilustres pintores e gravadores.
O pavilhão, o lóbulo, e os seus ornamentos
O pavilhão do ouvido, ele — do qual mal foi questão até aqui — recebe frequentemente uma conotação macho e remete a uma espécie de pênis metafórico, como nos apresenta o mito bambara. É contudo o lugar de outros deslocamentos que dele fazem o substituto ora de uma membrana feminina, ora o dos invólucros embrionários. Um muito sábio dicionário no século XVIII dará por única definição do lóbulo do ouvido: «Esse lugar que as damas fazem furar» — o que não vai sem equívoco —, sem omitir aliás relatar os costumes dos príncipes incas, que serão evocados mais adiante.
Por outro lado, no século IV antes de Cristo, Ctésias, médico da corte do rei da Pérsia, na sua descrição das numerosas tribos com que se diz a Índia do Norte ser povoada, relata que certos povos têm orelhas tão longas que cobrem os braços até os cotovelos. E Megástenes, embaixador junto ao rei de Babilônia Seleuco I, que estivera na corte de Chandragupta e passava por estar bem informado, confirmava que os Fanésios tinham tais orelhas que, para dormir, uma servia-lhes de colchão, a outra de cobertor.
O furamento do lóbulo do ouvido é um estranho costume, sem dúvida tão antigo e universal quanto a circuncisão, com a qual aliás não está talvez sem parentesco. Uma expressão magrebina denuncia a antiguidade: «Desde que a minha avó furou os lóbulos das orelhas» significa: desde os tempos os mais recuados. Mas, longe de ser mantida secreta, esta operação é, ao contrário, proclamada pela ornamentação muitas vezes faustosa da qual é o pretexto. E Plínio a insurgir-se contra as despesas extravagantes que as elegantes do seu tempo — e mesmo, no Oriente, os homens — consagram às pérolas auriculares.
Costume que persiste entre nós, como se sabe, e cuja proto-história confirma a existência desde a primeira idade do Bronze pelo menos, e provavelmente bem antes. Desde o IV milénio, em todo caso, são atestados ornamentos de orelha — ora simples fio de bronze, ora pedaço de chapa plana munido de um gancho de fecho, ora folha de bronze enrolada, uns e outros acessoriamente prolongados por pingentes tintinabulantes.
Servidão ou nobreza
Será a este uso — que poderia ter sido primitivamente sinal de alienação ou de aliança — que se refere Isaías: «Os teus ouvidos ouvirão estas palavras ressoar atrás de ti», assim como o propõem exegetas? Não haveria necessariamente incompatibilidade na dupla aceção que se encontra ligada ao furamento das orelhas: de servidão, como entre os Hebreus e os Romanos; de nobreza e de liberdade, como entre os Atenienses, os Indianos do Oriente e os Incas por exemplo.
O irreverente provérbio francês — «Mulher sem brinco, asno sem focinheira» —, bem como a prática, na antiga Roma, de atar o seu escravo pela orelha por meio de uma sovela à porta da sua casa, referem claramente ao primeiro caso. Os sumptuosos ornamentos de orelha que no século XVI usava a rainha de Calecute — e que, relata uma testemunha, «lhe desciam até os seios, e mesmo mais baixo»; os dos Incas e outros Indianos da América do Sul, tão notáveis que serviram aos Espanhóis para designar esses próprios povos — orejones.
Contudo, apesar de toda essa riqueza fantasmática que lhe reconhecemos, o ouvido, bizarramente, parece intervir somente raramente enquanto tal nos sonhos — muito mais raramente, em todo caso, que nos jogos dos amantes. E a volúpia da chupadela aparece tão difundida num sexo quanto no outro. É que o ouvido é, o que a antropologia nos parece confirmar, um órgão essencialmente bissexual — metaforicamente, claro.
E não é sem dúvida por acaso que o furamento das orelhas, para a isso voltar ainda, em tão grande honra no sexo feminino, seja, na França de 1985 — salvo erro — a única operação no corpo que seja ainda executada por alguém de totalmente independente das profissões de saúde: o joalheiro, esse primo enobrecido do ferreiro que, ele, está ainda investido, em numerosas culturas «tradicionais», das funções ingratas e temidas de cirurgião e de circuncisor.
— Jacques Bril
— Dossiê publicado numa revista francesa em 1985. Artigo principal de Bernard Montelh, destaque «O imaginário do ouvido» de Jacques Bril.